Oderich vence o Derby Carioca e reafirma a vigência de Drosselmeyer no Brasil
- Lineage Bloodstock
- 17 de abr.
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O Grande Prêmio Cruzeiro do Sul (G1), o Derby do Rio disputado na pista de grama do Hipódromo da Gávea no domingo passado, coroou Oderich (Drosselmeyer) como o melhor potro da geração 2022 no Brasil e marcou uma jornada histórica para o treinador Luiz Esteves e o garanhão Drosselmeyer (Distorted Humor). A vitória do castanho, de copropriedade do Haras Cariri PE e Stud Sampaio, criado no Haras Anderson, foi uma demonstração de qualidade e uma reafirmação deste talentoso potro.

A prova sobre 2.400 metros foi resolvida em um duelo direto entre Oderich e Zucca Baby. Conduzido por Altair Domingos, Oderich contornou a última curva por fora e entrou na reta final em igualdade com o adversário. Ambos protagonizaram uma disputa que foi decidida por nariz a favor do alazão, que registrou 2:26.49. A corrida confirmou a capacidade de fundo dos filhos de Drosselmeyer em pistas pesadas e deixou Zucca Baby, que vinha de vencê-lo por mais de 4 corpos no Paula Machado um mês antes, como sério candidato ao Grande Prêmio Brasil (G1) do próximo 14 de junho. Após a corrida, o jóquei Altair Domingos declarou à imprensa: “Estou muito agradecido pela oportunidade de montar. O Esteves me transmitiu muita confiança quando o cavalo trabalhou. Ele me disse: ‘no domingo vai ganhar, o cavalo está bem’. Depois tivemos um bom desenvolvimento de corrida, e para ganhar tudo tem que dar certo… ele ganhou onde estava o dinheiro, e isso é o importante”, comentou entre risos.
Após a corrida, entre lágrimas, o coproprietário de Oderich, Thiago Godoy, declarou: “O Derby é diferente, o Derby é distinto. O Derby é a prova mais importante do país. Nós temos um amor especial pelo Grande Prêmio Brasil, fico sem palavras. O Rio é a cidade que amo e vencer um grande prêmio como este aqui é maravilhoso.”
A vitória de Oderich foi a terceira de Luiz Esteves no Derby carioca e consolidou um golpe de autoridade do treinador baseado no centro de treinamento Verde e Preto. Oderich é relativamente novo no stud de Esteves, já que desde janeiro está instalado no Verde e Preto. Esteves declarou: “Recebi o cavalo para correr a segunda prova (da Tríplice Coroa) em um curto espaço de tempo. Correu bem, eu acreditava firmemente que iria ganhar o Derby. É um cavalo muito bom, muito confirmador.”
Seis pupilos apresentados por Luiz Esteves no Derby terminaram entre os sete primeiros, com exceção do segundo colocado, confirmando o domínio do treinador nesta geração. Poucas horas depois, Esteves venceu a outra prova de Grupo 1, desta vez para potrancas de três anos, o Grande Prêmio Zélia Gonzaga Peixoto de Castro (G1), o Derby das potrancas, com Odalisca (Sangarius e Jennifer Aniston por Kodiak Kowboy). Montada por Hélder Fernandes, ela se destacou com facilidade da cofavorita Veil (Can The Man) e marcou 2:27.11, garantindo um duplo triunfo que consolidou o treinador como a principal referência da hípica brasileira atual.
Por trás das façanhas de Oderich e Gevrey-Chambertain, destaca-se a figura de Drosselmeyer. O filho de Distorted Humor – recentemente elevado à categoria de chef-de-race “Intermediate-Classic” – radicado no Haras Old Friends, em Bagé, Rio Grande do Sul, após vencer o Belmont Stakes e a Breeders’ Cup Classic, continua produzindo corredores de elite mesmo aos 19 anos. Na mesma jornada carioca, sua filha Gevrey-Chambertain venceu o Clássico José Carlos Fragoso Pires (G2), garantindo ao garanhão um duplo êxito de Grupo em uma única tarde. A genética de Drosselmeyer, que combina Distorted Humor com a influência da família de Seattle Slew, adapta-se tanto à areia quanto ao gramado e tem rendido especialmente bem com éguas de linha japonesa, como demonstra a ascendência de Agnes Gold em Oderich.
Na geração 2023, já há duas filhas de Drosselmeyer em destaque. Iluminada é uma potranca reservada pelo Haras Old Friends, propriedade de Júlio Camargo, presidente da ABCPCC (Associação Brasileira de Criadores e Proprietários do Cavalo de Corrida). Iluminada é treinada no Rio por J. C. Sampaio e já venceu o Clássico Ministério da Agricultura (L) e uma prova maiden em apenas três apresentações. A outra ganhadora clássica é Vip Na Balada, potranca que domina entre as fêmeas no Hipódromo de Cidade Jardim, no circuito de São Paulo, mantendo-se invicta em três saídas e sendo favorita para o João Cecílio Ferraz (G1), a primeira prova máxima para as potrancas desta geração.
O Haras Anderson, localizado em Bagé, Rio Grande do Sul, reduziu nos últimos anos o número de éguas e a população alojada em suas instalações, mas a qualidade de seus produtos continua se destacando. De seus campos surgiram campeões como London Moon (Agnes Gold), um dos melhores milheiros brasileiros dos últimos anos, recentemente aposentado e hoje garanhão no próprio haras onde nasceu. Oderich, criado ali, representa a continuidade de uma filosofia de criação que prioriza resistência e aptidão para a milha e meia.
A operação Doce Vale, fundada por Alfredo Grumser, não saiu de mãos vazias. Embora Zucca Baby tenha terminado novamente em segundo, o filho de Hofburg mantém uma regularidade notável e é um dos favoritos iniciais para o G.P. Brasil (G1) de junho. A Doce Vale também apresentou Vivi Magique, a veloz filha de Can the Man (Into Mischief), em mãe por Fluke (Wild Event), que reapareceu na prova de Grupo 3 que leva o nome do fundador do haras. Vivi Magique buscará o G.P. Major Suckow (G1), prova de velocidade para adultos no meeting do Brasil. Fluke, com apenas 29 filhos registrados, 19 delas fêmeas, vem se revelando como um excelente avô materno; de sua produção limitada surgiram ganhadoras de G1 como Nostalgie e a tríplice coroada No Regrets, aumentando a expectativa sobre Vivi Magique como futura matriz do haras administrado pelo Dr. Marcio Stanicki.
A geração 2022 do turfe brasileiro mostra grande potencial. Ao lado de Oderich e Zucca Baby, destacam-se Torres Garcia e Uncle King, que completaram o marcador do Derby e garantiram vaga para o Grande Prêmio Brasil (G1). A rota da Tríplice Coroa do Rio de Janeiro consolidou-se nos últimos anos como um G1 classificatório para a corrida mais prestigiosa do país, evidenciado pelo fato de que, nas últimas seis edições, cinco vencedores disputaram o G.P. Brasil com atuações destacadas.
Foi vivida uma jornada memorável na Gávea, e o presidente do Jockey Club Brasileiro, Raúl Lima Neto, comentou sobre a organização: “Mais um dia de festa e mais um dia com o hipódromo cheio, com um público diferente. Um público que está trazendo crianças, jovens e famílias. Sabemos que não é um público que impacta diretamente o volume geral de apostas, mas é um público de renovação, para atrair novos aficionados ao turfe.”
Com o G.P. Brasil no horizonte, os protagonistas da Gávea se preparam para um vibrante duelo geracional.











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